Produtos de luxo

Barco Hermès




A maior parte das grifes ganhou fama internacional graças a produção de roupas e acessórios de vanguarda, com alto valor agregado. Mas, aos poucos, por necessidades econômicas e culturais, os grandes nomes da moda se diversificaram. Primeiro, ainda na década de 1990, voltaram suas atenções aos chamados produtos licenciados. Perfumes, guarda-chuvas, relógios e óculos de sol. Ganharam status de objetos de desejo. Agora, como uma continuação desse processo, o que se vê é o surgimento de hotéis, restaurantes, móveis e objetos de decoração, celulares, barcos e até casas com sobrenomes famosos.


Celular Dior


Hoje é possível decorar a casa inteira [do lustre ao sofá, passando pelos lencóis, jogos americanos e porta-retratos] com peças Bottega Veneta, Diesel, Fendi, Vera Wang, Marc Jacobs e Roberto Cavalli. Isso, apenas para citar alguns. Os hotéis de grife também proliferam. Armani em Dubai, Bulgari em Bali e Milão, Camper em Berlim e Barcelona, Missoni em Edimburgo, na Escócia, e Versace em Gold Coast, na Austrália. Celulares Anna Sui e Dior, bicicletas e pranchas de surfe Chanel, barcos e helicópteros Hermès atiçam o desejo dos consumidores de elite.








Hotel Missoni
Helicóptero Hermès
"Por princípio, o luxo é fruto de um processo artesanal, seletivo e exclusivo", explica Silvi Passarelli, diretor do Programa de MBA em Gestão do Luxo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). "Existe demanda para crescer, mas se essas marcas crescerem demais, se popularizam e se vulgarizam". isso significa que existe um limite, um momento em que essa produção de luxo chega a seu máximo. E, nesse ponto, existem poucas alternativas para continuar aumentando o faturamento.

Uma é comprar outras marcas e formar superconglomerados de produtos de luxo como LVMH, que reúne mais de 60 grifes, entre ela a Louis Vuitton e Givenchy; PPR, que, entre outros nomes, cuida da Gucci e Boucheron, e o grupo Richemont, que tem em seu portfólio estrelas como Cartier e Piaget.

Outro caminho para crescer é a diversificação. Ou ainda optar pelas duas alternativas. Ganhar escala fazendo parte de um grande conglomerado e ainda ampliar sua área de atuação. No caso dos produtos licenciados, a diferença básica é que a diversificação tem como alvo os mesmos clientes das lojas de moda. A prioridade não é angariar novos compradores. A ideia é consolidar o nome e oferecer  outras opções de consumo à clientela já conquistada.


Bicicleta Chanel




Porta-retrato Vera Wang
O que se espera é que o dono de um cinto ou uma gravata Hermès, por exemplo, acredite que será mais bem atendido em um café da própria marca. Há uma migração do prestígio.

E essa tranferência de valores também acontece quando pesos pesados de segmentos diferentes se unem. Quando a Knoll, de móveis, cria uma parceria com a Rodarte, de moda, ela deseja mater conectada a esse universo. "Nossos produtos são projetados para atender aos mais exigentes consumidores", diz Dorothy Casonas, diretora criativa da Knoll Textiles e Knool Luxe. "A maioria dos nossos clientes está muito consciente dos designers da indústria da moda", afima.

No Brasil, apesar de um mercado de luxo nacional ainda incipiente [em parte porque o país é muito novo em termos históricos], esse processo de diversificação já dá as caras. Há cerca de dez anos, a Le Lis Blanc percebeu que a decoração de suas lojas tinha apelo para vendas, hoje toda unidade tem um espaço dedicado a objetos e móveis. "Compramos produtos prontos, mas também desenvolvemos peças próprias no mercado brasileiro", conta Janaina Machado, diretora comercial da marca.


Para manter a identidade, o que é fundamental, a estilista está sempre envolvida em criação. O público, apesar de ser mais específico, é o mesmo. Assim, quem compra uma calça pode levar também um sousplat e vice-versa. Em dois anos, enquanto a loja cresceu entre 20% e 25%, a seção para casa aumentou 40%.

É difícil dizer quais as consequências da diversificação. Afinal, gerenciar lojas, hotéis e restaurantes é diferente. Controlar a qualidade de produtos e serviços também. A experiência, ao contrário do prestígio, não se desloca. Afinal, difícil mesmo não é fazer com excelência e sim manter esse exercício. E se a 'coisa" toda não for muito bem feita, além de não ganhar, épossível perder dinheiro, admiração e respeito.

Mas, enquanto os atributos e valores das marcas de luxo forem percebidos em cada um dos seus negócios, novos ou antigos, o horizonte é reconfortante para quem puder aproveitá-lo.



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