Marilyn por ela mesma



Livro com cartas, poesias e diários íntimos reforçam que a dona das mais festejadas curvas do cinema era mesmo um poço de angústia e solidão.

"Sozinha!!! Eu sou sozinha, estou sempre sozinha, não importa o que aconteça". Assim começa um dos caderninhos onde Marilyn Monroe anotava seus pensamentos e tormentos. Um conjunto deles, mais cartas, poesias e outros manuscritos deram origem a Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters. Custa R$70 na livraria Cultura e lançado ano passado nos Estados Unidos e na Europa. 

O livro descortina muito do que passava por aquela cabecinha que muitos consideravam oca: os percursos da psicoterapia; as dores do abuso sexual (quando ainda vivia com seus pais adotivos); o medo de ter herdado a esquizofrenia de sua mãe biológica; seus três casamentos (com o policial James Dougherty, que a ajudou a se livrar do orfanato onde vivia, com o jogador de beisebol Joe DiMaggio e com o escritor Arthur Miller, o grande amor que a traiu); e até o método de criação dos personagens que a celebrizaram.

Tem uma carta onde Marilyn fala sobre James Dougherty, onde ela ainda atendia por Norma Jeane Baker e mostra claramente sua insegurança em relação ao casamento, os ciúmes do marido e o medo da solidão - sentimentos que iriam acompanhá-la pelo resto da vida. 

Parte dos escritos reunidos em Fragments teve origem nas sessões de análise que ela passou a fazer por estímulo de Strasberg - houve um momento em que os encontros com a psiquiatria eram quase diários. A ideia era que, se autoconhecendo, ela teria mais material para elaborar sua atuação, fosse nas aulas de Actors Studio de Strasberg, fosse no cinema. São anotações íntimas (e desesperadas) que refletem momentos dramáticos como sua (breve, mas intensa) internação em uma clínica psiquiátrica de Nova York. 

A recomendação feita pela analista Marianne Kris (também agraciada no testamento da loira), se revelou um equívoco. Marilyn entrou em desespero e escreveu para Strasberg implorando por socorro. O mentor não cedeu e Joe DiMaggio, a quem ela recorreu de última instância, que termina tirando-a de lá, ameaçando colocar o hospital abaixo. Marilyn também discorre várias vezes sobre Arthur Miller. "O cinema é meu trabalho, mas Arthur é a minha vida". Um dos extratos mais melancólicos diz: "Odeio estar aqui. Não sinto mais que exista amor".

O livro traz ainda trechos que mostram um certo otimismo e planos para o futuro feitos pouco antes de sua morte, em agosto de 1962, de overdose de barbitúricos e álcool, o que intensifica a dúvida se a mistura foi ou não acidental.

Essa nova publicação só reforça o que disse a então primeira-dama americana Jackie Kennedy sobre Marilyn: "She will go on eternally".

A biblioteca da Diva

Quando os bens de Marilyn foram leiloados, em 1999, ficou claro que ela não tinha nada de loira burra - seu patrimônio incluía uma biblioteca com 400 volumes. para entrar nesse universo, comece por Vladimir Nabokov, do clássico Lolita (1955). Pontue com poemas de Walt Whitman. Sociedade e Solidão, do filósofo e poeta americano Ralph Waldo Emerson, parece denso demais? Então vá de Jean Paul Sartre.


LUA DE MEL
Di Maggio visitou Marilyn ao saber de sua contusão: fotos, beijos e romance assumido


ESBOÇOS
Marilyn anotou em papel de carta do hotel Waldorf Astoria, em Nova York, um triste sonho: “Um eterno vazio”


¸.• .¸ ¸.• .¸ ¸.• ¸.• .¸ ¸.• .¸ ¸.• .¸  

Comentários