Perfil [Amaury Jr] gastronômico


Festas, casamentos, recepções, banquetes. A grande mesa sempre acompanhou as imagens que o apresentador Amaury Jr costuma trazer ao brasileiro. No retrato que vem fazendo do grand monde, ao longo dos últimos anos, empenhou uma simpatia inesgotável para revelar o lado bem-humorado de chefs, o sorriso nem sempre frequente dos críticos e a exclamação dos goumets mais rigorosos, a respeito dos pratos e copos servidos à sociedade. Mas ele tem opiniões particulares, algumas que lhe invocam à infância ou que lhe conferem prazeres simples, atrás das câmeras. Vejam a entrevista.



O que considera alta e baixa gastronomia?
A alta é facilmente identificável e nem precisa ser servida em ambientes sofisticados. A baixa, a meu ver, pode ser tudo o que é politicamente incorreto: fast-foods, gordura excessiva, fritura a granel. A baixa gastronomia não é sinônimo de rejeição, mas de saúde. Você é o que você come. Alguém tem dúvida dessa máxima?

Quais foram as primeiras experiências marcantes em casa?
Temperar rodelas de cebola como minha mãe me ensinou, junto com os ensinamentos que recolhi de alguns chefs. Isso depurou meu palato e a arte de prepará-las.

Qual o must da cozinha nordestina?
Moqueca de camarão do Iemanjá, em Salvador, Bahia.

Já experimentou os novos caviares (italianos, franceses, uruguaios)?
Não provei e nem quero provar. Caviar é feito de ovas de esturjão, e esturjão só na Rússia e Irã.

O que não rola na sua feijoada?
Joelho, pé, rabo e orelha de porco. O resto manda que eu traço.

O que você evita?
Raiz-forte. Fiquei traumatizado num jantar em Osaka, no Japão, ao lado do Caíto de Carvalho, onde engoli uma bola de raiz-forte. Parecia a explosão de um lança-perfume no estômago. Passei o resto da viagem em lanchonetes.

E do mar, o que prefere e o que evita?
Ostra é meu prato predileto. A melhor que já provei foi no Hotel Cape Grace, em CapeTown, nessa minha recente viagem para cobrir as cidades da Copa do Mundo. O que evito? Qualquer coisa do mar com mais de três dias de pescado.

Os petiscos.
Coxinhas do frango e pastéis do Pandoro, ambos em São Paulo.

Qual livro de gastronomia te chamou atenção?
"A Rainha que virou Pizza", do Dias Lopes. Conta a história da pizza margherita. Ele fala ainda de personagens históricos, como Cle[opatra, e suas preferências à mesa.

Infância, do que gostava?
Arroz-doce.

Petisco assistindo ao filme ou ao futebol?
Doritos, amendoim japonês e uma itaipava gelada.

Os grandes vinhos que já experimentou?
Resposta impossível. Tenho 30 anos de festas e tudo o que há de bom tive o privilégio de provar.

Os restaurantes de SP, do Rio, do Brasil e do exterior, por categoria:
Japonês: Shintori - SP
Chinês: P.F.Chang - Las Vegas
Português: Antiquarius - SP
Espanhol: Botafumero - Barcelona
Francês: Les Allards - Paris. (Prove canard aux olive, inesquecível). Em SP, o La Tambouille.
Italiano: Tattini - SP
Pizza: Sala vip - SP
Boteco: Pirajá e Esquina do Fuad. Caldinho de feijão, pastel feito na hora.
O grande restaurante americano: Le Cirque, NY.

O filme de gastronomia.
Estão matando os grandes chefs.

Quem melhor come e quem melhor bebe no mundo?
Os franceses, sem dúvida.

Você tem fome de quê?
À mesa, com fome ou sem fome, um cuscuz bem feito é irresistível. Mas tenho outros tipos de fome que não são exatamente de comidas. Falo de justiça social, por exemplo, de verdade eleitoral, de mais fé, de pessoas verdadeiras. Circulando profissionalmente no meio de tanta gente que deu certo e teve sorte na vida, é impossível sua sensibilidade não se tocar pelos que são carentes.

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