Verso & Prosa



Hoje é 1° de Abril, dia da mentira.... mas para quê mentir hoje, se existem pessoas que mentem o ano inteirinho né? Então, vamos falar de uma história verdadeiríssima por sinal.

Depois de 10 anos, a escritora mineira, Adélia Prado volta à cena da poesia brasileira. Ela criou 5 filhos, vive até hoje ao lado do marido no mesmo lugar onde nasceu, não tem e-mail, quase não atende telefone e segue uma rotina tranquila em Divinópolis, Minas Gerais. A vida de Adélia Prado (1935-) seria como muitas outras em uma pequena cidade mineira, a não ser por um detalhe: ela encarou a paixão pelas letras e se tornou uma das mais importantes poetisas do país.

Com mais de 30 anos de trabalho, Adélia lançou em Agosto de 2010, pela editora Record, A duração do dia, o primeiro livro de poemas após uma década de silêncio poético. Foi a posia inclusive, que abriu seus caminhos como escritora. Com a morte da mãe, em 1950, começaram a surgir as primeiras estrofes. Mas, graças a outro famoso nome da nossa literatura que Adélia, formada em Magistério e Filosofia, deixou a sala de aula para se dedicar integralmente à arte de escrever.

Foi Carlos Drummond de Andrade, em meados da década de 1970, que ao ler os poemas os descreveu como "fenomenais" e sugeriu a publicação dos textos. Surgia o primeiro livro de Adélia, Bagagem, em 1976. Na ocasião, com a admiração explícita de Drummond pela escritora [então mãe e professora de 40 anos] n]ao foi difícil chamar a atenção para o novo talento.

O lançamento do primeiro livro, no Rio de Janeiro, contou com a presença de Clarice Lispector, Juscelino Kubitschek, Nélida Piñon e Affonso Romano de Sant'Anna [o grande responsável pelo encontro de Drummond e Adélia]. O prêmio Jabuti, em 1978, com o livro O Coração Disparado, só confirmou um talento que para os intelectuais já era certo. E enquanto todos achavam que o caminho da escritora seria traçado somente na poesia, em 1979 ela surpreende com o lançamento de Solte os Cachorros, o primeiro de muitos escrito em prosa.

Entre períodos de hiato e retomada criativa, Adélia reviveu o universo lúdico e fantástico das crianças em Quando eu era pequena, que marcou sua estreia na literatura infantil, em 2006. Como mãe, dona de casa e intelectual, defendeu o papel da mulher na sociedade, sem precisasr levantar a bandeira do feminismo. Conciliou a criação dos filhos com o Magistério, e logo em seguida, com a Literatura.

Nem mesmo a depressão, que a afastou por 5 anos das máquinas de escrever, tirou o prazer pela escrita. Pelo contrário. Como ela mesma afirma em muitas de suas declarações, o período de bloqueio criativo foi um processo necessário para o próprio desenvolvimento literário. Adélia transporta para o papel os detalhes do cotidiano, a importância da mulher na sociedade e as minúcias das relações humanas com a delicadeza de quem vive com prazer a simplicidade da vida.

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