Qual a cor da felicidade?


Consultando alguns escritos que tentam explicar a relação entre cores e estado de espírito ou tipos específicos de personalidade, notei que as mais escuras tendem a estar ligadas a sentimentos menos agradáveis como tristeza, solidão ou baixa auto-estima. Também descobri que o vermelho e o laranja, por exemplo, tendem a ser associados a comportamentos mais extrovertidos e a sensações mais positivas como bem-estar e satisfação. No entanto, me dei conta que há coisas que nenhuma cor é capaz, realmente, de demonstrar.

A felicidade, por exemplo, é um sentimento que, talvez não seja tão simples de explicar simplesmente por meio de uma cor, seja ela qual for. O amarelo, por exemplo, segundo os "especialistas", está ligado à capacidade de se relacionar com os outros, própria dos extrovertidos, assim como o vermelho indica os que têm o poder da sedução, da conquista. Ambas, portanto, caracterizam-se pelas energias positivas, capazes de tornarem a vida uma viagem prazerosa.

Quando se trata de alguém com poder de acreditar no futuro, o verde é a marca mais lembrada da mesma forma que ela também indica o poder da transcedência, do misticismo. Enquanto isso, o azul-marinho representaria a tranquilidade, a coragem para superar obstáculos, o autoconhecimento. O violeta já seria o sinal de dualidade espiritual, próxima dos sentimentos mais sombrios.

O branco, por sua vez, estaria ligado a tudo que se refere à luz, à pureza, ao passo que o preto teria fortes ligações com a escuridão, com a morte, com os sentimentos mais abominados pelo homem. Basta se lembrar que os anjos sempre vestem branco, enquanto a "senhora da foice" usa, invariavelmente, preto.

Mas será que seria possível atribuir cor a um estado de ânimo tão complexo e misterioso quanto à felicidade? Que cor se daria a ela? Seria um azul-celeste ou um rosa-choque? Prefiro pensar que esse sentimento não deva ser rotulado de nenhuma forma. A propósito, que cor teria um sorriso, mesmo que tímido? Ou o brilho flamejante de olhos que contagiam com seu brilho, independentemente de serem castanhos, azuis ou verdes? Sinceramente, não creio nessa possibilidade.

Na verdade, penso que o melhor é se deixar envolver por ambos, num momento de pura transcedência, de absoluta falta de palavras, de indescritível sensação de leveza de espírito. Aliás, a razão, a capacidade de ordenar e de classificar não são compatíveis com algo que as palavras não conseguiriam traduzir. Afinal, o que é divino não se precisa explicar: basta sentir.

Recanto das letras

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