O encanto da bolha



Nenhuma outra bebida é tão festiva quanto o espumante. Está presente na alegria extravasada do corredor de Fórmula 1, nas festinhas de Fabrícia (rs..), no pipocar de rolhas do réveillon, na garraga arremessada no casco de uma nova embarcação e no instante em que recém-casados cortam o bolo. O espumante é bem-vindo em qualquer comemoração, pois as borbulhas nos remetem à infância e a primeira reação de quem recebe uma flûte é sorrir.

Bolhas de sabão, balões de gás, piscina de bolas coloridas, banheira de espuma, bolas, bolhas e borbulhas nos encantam quando criança e o espumante parece trazer à tona essas felizes recordações. Outro dia, estava numa festa, onde uma criança olhava pra minha taça sem parar e me disse: tão lindas essas bolhinhas! kkkkkk.. morri de rir com isso!

Nos espumantes as borbulhas são de CO² (dióxido de carbono ou gás carbônico) geradas durante o processo de fermentação e aprisionadas dentro de uma garrafa. Os amantes da bebida preferem borbulhas abundantes, contínuas e pequenas. Associando as bolhas grandes ou pouco numerosas a produtos inferiores. No entanto, essa percepção pode ser iludida por elementos completamente alheios à qualidade do espumante.

As bolhas surgem nas taças, principalmente, a partir da irregularidade do vidro. Nessas microcavidades formam-se tensões de superfície que aprisionam uma pequena quantidade de ar. Ao servirmos o espumante, o gás carbônico passa a exercer pressão para preencher esse espaço, expulsando o ar. No entanto, a pressão do CO² contido no líquido é maior provocando nova entrada de gás e a saída daquela porção de CO² que estava ali. Esse movimento cíclico ocorre continuamente provocando a carreira de borbulhas (também chamada de perlage) que testemunhamos sair de um mesmo ponto da taça. À medida que o tempo passa, a concentração de gás no líquido cai, reduzindo o número de borbulhas.

A frequência das bolhas, o tamanho e a velocidade têm vários fatores de influência que envolvem a irregularidade das microcavidades e o ângulo em que se encontram dispostas na taça. Isso faz com que cada carreira de bolhas seja distinta, uma da outra. O tamanho das borbulhas tende a ser menor quando estão no fundo da taça, aumentando seu diâmetro à medida que se elevam. Isso é devido a menor pressão na parte mais alta e ao recolhimento de mais gás durante o trajeto das bolhas.

Alguns elementos podem agir inibindo a formação da tensão de superfície nas microcavidades e, consequentemente, diminuído a presença das borbulhas. É o caso do resíduo de detergentes.

Todavia, nem todas as borbulhas se formam no perímetro da taça. Partículas de poeira e microfilamentos de panos utilizados para secar as taças, quando depositadas em seu interior, produzem o mesmo efeito cíclico do gás carbônico. O CO² entra por algum pequenino orifício e sai por outro, tornando mais abundante a perlage.

Observe que uma mesma garrafa servida em diferentes taças pode apresentar comportamento distinto em cada uma delas. Por isso, o prazer de assistir ao movimento das borbulhas permanece mas o espumante tem sua qualidade melhor avaliada através do sabor e do aroma.

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