Chanko Nabe


O que os lutadores de sumô comem? Se você já se fez essa pergunta, provavelmente a imagem que vem à mente é de uma dieta ultracalórica e gordurosa, pois só isso explicaria a “massa” dos praticantes da modalidade. Engano seu, ao menos parcialmente. O Chanko Nabe é o prato mais famoso dentro da cultura dos sumotoris (como são chamados os lutadores), e apesar das diferentes receitas utilizadas em cada academia (heya), o conceito é o mesmo no país inteiro: misturar o maior número de ingredientes na panela e cozinhar na água.

O resultado não difere muito dos tradicionais nabe-ryori (pratos de caçarola) do Japão. O mais curioso é que devido à quantidade de verduras e carne branca, a iguaria tem baixa caloria. O diferencial está no volume, já que dentro da mesma caçarola muitas vezes se mistura peixe, frango, carne de porco, carne de gado, frutos do mar, verduras e legumes.

“Muitos estrangeiros experimentam o prato, e se impressionam com a quantidade de ingredientes utilizados”, diz Atsushi Kataoka, gerente do restaurante Kappo-Yoshiba, de Tóquio, cujo maior atrativo do cardápio é o Yoshiba Nabe, preparado com nada menos que 17 diferentes iguarias.


A casa oferece um ambiente onde o cliente se envolve completamente com o mundo dos gigantes lutadores. Ao descer na estação mais próxima, a primeira construção avistada é o Kokuritsu Kokugikan, onde são realizadas as lutas profissionais em Tóquio.

A probabilidade de dar de cara com um sumotori caminhando na rua é grande, já que a tradicional e respeitada academia Miyagino fica próxima. Ao entrar, o visitante dá de cara com uma arena de luta com medidas oficiais, herança de uma academia que funcionava na mesma construção há 24 anos. As cadeiras são subdivididas conforme a proximidade com o círculo sagrado, e quanto mais próxima do centro, mais difícil de conseguir uma reserva.

“O início do inverno é o período mais concorrido, e a casa fica lotada de segunda a segunda”, diz o gerente Kataoka, sem parar de misturar os ingredientes na panela. Enquanto o chanko nabe não fica pronto, as atenções se voltam para a arena, onde o ex-lutador profissional “Kuni-Nishiki” Kojiro canta e recita poesias, em uma performance conhecida como sumô-jinku.

A apresentação ocorre três vezes por semana, e é uma das mais concorridas atrações do Kappo Yoshiba. Lá literalmente os clientes comem, bebem, cantam e respiram sumô. Só falta lutar, mas, por enquanto, isso não está incluso no cardápio, pois a arena serve apenas de decoração.

Curiosidade: a alimentação é preparada na mesa, na hora. Uma dieta com pouco carboidrato e lipídios e rica em proteína. Não é calórica. Eles engordam porque são todos os dias a mesma refeição e em grande quantidade. No almoço é liberada a cerveja [à vontade] para acompanhar e ainda tem o caldo que é misturado com arroz e dois ovos!!!


Significado: A palavra chanko faz referência à ligação do Pai (Mestre) e Filho (aprendiz). Antigamente, servia para denominar qualquer comida compartilhada entre os lutadores e seus mestres. Com o tempo foi criada a expressão chanko nabe, específica para o prato que se tornou mais popular entre os sumotoris.

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Comentários

  1. Interessante isso! To vendo que o seu blog é bem recheado de informações, vou frequentar mais.

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  2. Obrigada Felipe!! Sem dúvida, sua presença por aqui será de grande valia! Beijos..

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