Guarda-roupa do poder

   


Michelle Obama - deusa da moda americana emergente, manda mensagens político-sociais importantes por suas roupas.







Ex-modelo, Carla usa basicamente grifes francesas, como convém à primeira-dama de um eldorado fashion: Dior, Hermès e Chaumet são suas preferidas. Ela também troca o salto por sapatilha em sinal de respeito à estatura do marido.
 



Maria Tereza Goulart, à esquerda, fez do guarda-roupa by Dener seu passaporte para a alta roda. Jackie Kennedy viu-se obrigada a trocar designers franceses por Oleg Cassini para agradar aos americanos.
 




Michelle, por sua vez, virou uma espécie de deusa para a indústria emergente da moda americana. Ao vestir estilistas à margem do maistream como Thakoon Panichgul e Jason Wu, ela salvou uma espécie que estava ameaçada de extinção pelo arrocho econômico: a de designers americanos indepedentes, que não estão ligados a nenhum grande conglomerado fashion, mas que mantêm vivo o garment district de Nova York, região em que midtown que congrega uma série de pequenos ateliês e oficinas de costura.







Hillary (à esquerda), a secretária de Estado americana e sua relação mal-resolvida com a moda: terninhos que parecem saídos doo closet do Sr. Clinton e recusa em posar para a capa da Vogue americana com medo de parecer frívola. A primeira-ministra britânica Margaret Thatcher tinha tanta mão de ferro na política quanto no guarda-roupa. Masculinizados tailleurs tão iguais que pareciam produzidos em série foram seu uniforme durante 11 anos de mandato.
 
    De volta ao presente, é notório que a postura de mulher independente é o recado mais forte de Carla, que segue a carreira de cantora e compositora, e de Michelle, advogada diplomata em Harvard. Ajuda o fato de elas serem jovens: Carla faz 42 dia 27 de dezembro; Michelle completa 46 em 17 de janeiro. As mulheres se identificam com elas. Casos completamente diferentes dos de princesas e rainhas, que desde que o mundo é mundo usam a moda como instrumento de diferenciação social.

De Grace Kelly e Lady Di esperavam-se mais feminilidade e glamour do que qualquer outra coisa, como Cinderelas que jamais deveriam desabitar os contos de fadas e descer ao nível do mundo real. Atualmente, no entanto, até o dress code das sangues azuis foi revisto e atualizado. Rania Al Abdullah, rainha da Jordânia, equivale a uma espécie de carla e Michelle do Oriente: ela só cobre os cabelos soltos com véu em visitas a Mesquitas, é adepta da calça comprida e tem um ótimo closet que poderia vestir qualquer fashionista do Ocidente.


Rainha Rania Al Abdullah, da Jordânia, é a prova de que o dress code sangue azul foi revisto: de cabelos soltos, calça comprida e closet trendy, ela é a Michelle Obama do Oriente.



PASSADO - Lady Di, Grace Kelly e a Rainha Vitória da Inglaterra: delas esperavam-se mais feminilidade e glamour do que qualquer outra coisa, como Cinderelas que jamais deveriam descer ao nível do mundo real.


Se rainha e primeiras-damas já encontraram seus lugares no mapa-múndi da moda, o mesmo não se pode dizer das mulheres que são o próprio poder. Hillary Clinton e Marta Suplicy são prova que, ao assumirem cargos de comando, as mulheres não sabem ainda como resolver o guarda-roupa nem como mostrar seu interesse (ou falta dele) em moda. Marta, a prefeita "PT Chanel", nunca foi "perdoada" por suas aparições de tailleur e salto alto nas favelas de São Paulo.

Num outro extremo, Hillary, sempre metida em terninhos que parecem saídos do guarda-roupa do Sr. Clinton, foi convidada para ser a capa da Vogue americana na época da disputa com Obama pela candidatura democrata. Declinou alegando que não desejava parecer muito feminina. Ela temia ser tachada de frívola. Anna Wintour rebateu com uma frase que tem tudo para ser parte do manifesto feminista (sem o ranço de queimar o sutiã) do século 21. "A noção de que uma mulher conteporânea tem que parecer um homem para ser levada a sério como candidata ao poder é francamente desanimadora. está na hora de mulheres com a visão de Michelle e Carla tomarem o poder. A moda - e o mundo - agradecerão.

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